Desabafos – Amanda Moresco
22.10.17

É o mundo me chamando mais uma vez

Eu estava vivenciando a melhor época da minha vida: um lar onde cada canto refletia amor e zelo; carinho em cada detalhe; aquilo que diziam sobre família. Era fácil pertencer àquele mundo, e se estivesse reclamando seria uma ofensa à sorte que a mim foi destinadaTenho três irmãos, e fomos todos criados pelo mesmo caminho. Costumo dizer que temos a mesma forma, mas cada qual com uma receita única, brilhante e bondosa. Eu sempre fui um pouco incomum, vivendo uma doce ditadura em um mundo cuja programação de TV passava apenas boas notícias, sorrisos e gentileza.

Vivia me comparando a qualquer outra pessoa, colocando em uma balança o que sou e o que realmente deveria ser. “Ela precisa criar”, minha mãe dizia, às vezes com o peito estufado, outras vezes com um tom de quem não aguentava tanta inconstância. Nunca decidi ao certo onde pertenço. Há tantas possibilidades, tantos acertos, erros e Amandas que amariam errar para aprender.

Todas as noites eu sonhava com lugares que não conhecia, pessoas cujos rostos não eram familiares, sensações que só eram possíveis no mundo da fantasia. Tão pequena, tão inocente, tão dela e do mundo. Alguns diriam que era apenas sonhos, mas eu estava convicta de que o mundo me chamava e me dava as mãos, arrepios no corpo e nenhum lugar para me aninhar. Ele queria desse jeito, e eu só poderia obedecer.

Não havia motivos para me explicar, pois não perdia tempo com pessoas que criavam raízes. Elas não faziam ideia de como era perder o interesse pelo o que se conhecia, e se sentir triste por ter de partir para outra, como se fosse uma missão. Eu olhava para as estrelas, sentia a brisa em meu corpo, escutava o silêncio que me acalmava e me trazia desespero ao ponto de eu não conseguir falar sobre isso sem que uma lágrima rolasse sob meu rosto. “Ele está me chamando, eu sei”.

Não haveria script, nem padrões ou comparações. Apenas o instinto do ar, que renova e destrói e renova novamente, quebrando em mil pedaços e juntando peça por peça na esperança de um novo e inesperado futuro, sem medo de mostrar sua essência e obsessão por essa tal liberdade. Uma alma que rezava para encontrar sua gente; que amava enlouquecidamente; que queria tudo; que não teria nada, apenas um olhar sincero, saudades e uma indecisão tão grande e tão misteriosa quanto o universo.
06.07.17

Desculpa, mas essa não sou eu

Faz um tempo que venho pensando sobre minhas atitudes e sobre o caminho que realmente quero traçar. Sobre o que é certo e errado para mim; meus próprios valores e princípios. Meu próprio jeito de enfrentar um desafio ou outro, entende? Sempre procurei ter a aprovação dos que me cercam como se a opinião deles fosse uma verdade absoluta, mas faz um tempo que venho avaliando tudo isso, e hoje noto o quão cega eu era. Não quero mudar opiniões alheias, só quero dizer que essa não sou eu.

Desculpa, mas mudei meu pensamento sobre o que é normal e aceitável. Sinto que pela primeira vez na vida eu apertei – e quase soquei – o botão foda-se e comecei a nadar com meus próprios braços. Hoje aceito quem sou, onde quero chegar e como farei para conquistar isso. Hoje aceito o modo como vejo a vida e, desculpe-me, mas não vou enxergá-la com seus olhos de daltônico, porque de onde estou a vista tem mais cor e é cor-de-rosa: linda, viva, boba, fofa, charmosa e interessante. Ah, e com duas colheres de glitter, por favor! É assim que começo todas as manhãs.

Acho beleza nas flores, nos muros, no desenho que se forma na parede do meu quarto quando o sol encontra minha janela. Sinto a beleza das ruas, dos olhos jovens e embriagados, dos gritos e da euforia, da sede por mudança e aceitação. Vivo a beleza da solidão, da tristeza e das lágrimas que caem sobre meu rosto. Não, não estou deprimida, apenas descobri que tudo pelo que passo é lindo e faz parte do meu ser, da minha essência e da minha evolução.

Minha mãe sempre fala sobre como eu deitava em seu colo e dizia “mamãe, não quero crescer; quero ser criança para sempre”, e por incrível que pareça ainda lembro dessas palavras saindo da minha boca. Tão pequena, tão inocente, tão esperta. Eu sabia que a partir do momento em que eu dissesse que era adulta, tudo mudaria e, principalmente, o modo como olho o desenho da parede do meu quarto. Tenho 24 anos e não sou adulta. Sinceramente? Nunca serei.

Dizem que procurar por amor, é procurar por si mesmo. Quando você se encontra, você encontra amor, porque são a mesma coisa. Hoje eu me achei, me perdi e me achei de novo. E isso acontece todos os dias, porque essa sou eu. Indecisa, espontânea, impulsiva, alto-astral, explosiva, sorridente, sonhadora, livre, pássaro e louca da cabeça. Eu arrisco, eu mudo, eu mudo de novo se preciso. Eu sofro. Eu sofro por não criar raízes ou pelo fato de precisar criar. Eu amo e choro. Eu choro extremamente e por motivos inimagináveis. Eu sou aquela pessoa que tira fotos mentais nas ruas e ainda faz o movimento de câmera com as mãos e o barulho de clique com a boca. Enquanto cozinho, uso a colher como microfone ao som de The Black Keys e me ajoelho no chão como se fosse o maior show da minha vida. Entende? Eu não, e por isso é tão divertido.

Escrever tudo isso é como parar no meio de um cruzamento movimentado e gritar o mais alto possível; é sentir um alívio imenso e renovador. É abrir os braços e sentir a chuva escorrendo sobre meu corpo, lavando minha alma e me fazendo sorrir novamente. Quero fugir de tudo que não é meu e de tudo que não sou, e parece que finalmente consegui. Fugi das correntes que fecham minha mente e machucam minhas asas. Fugi dessa prisão para encontrar a mim mesma. Hoje eu me vejo e não preciso de espelho para isso. Hoje eu me amo.

01.07.17

2017: comentários machistas que ainda ouvimos

2017. Isso mesmo: dois mil e fucking dezessete e, apesar de toda a informação e conscientização que está havendo ao nosso redor sobre feminismo, ainda temos que ouvir muita bobagem, não apenas de homens, mas também de mulheres.

Ai, Amanda, mas eu estava brincando quando falei aquilo! Shh… apenas pare, cave um buraco e fique ali quietinho. Com o intuito de fazer a galera se ligar nesses comentários, perguntei a algumas mulheres o que elas ainda escutam em pleno 2017 que as faz revirar os olhos como a Miley aqui embaixo.

1. Você é feminista? Credo, você não se depila?
Eu sei, eu sei, é ruim, mas o pior foi ouvir isso sair da boca de uma mulher. Miga, feminismo não se resume a pernas peludas e revolta contra maquiagem. Pode se depilar? Pode! Pode não se depilar? Também pode! Pode se maquiar? Pode! E não se maquiar? Claro que pode! A questão é fazer o que você bem entender sem peso na consciência, sabe?

2. Deixa eu te ajudar a estacionar.
Alô, macho, eu nem entrei na vaga ainda e não pedi sua ajuda, então fica aí de boas enquanto te ensino a fazer essa baliza.

3. Nossa, você está braba! Tá de TPM?
Eu tô é de saco cheio de você, e não preciso estar de TPM para isso.

4.  Eu ajudo minha mulher a lavar a louça *peito estufado de orgulho*
E desde quando você está fazendo favor? Vem cá que eu vou te explicar uma coisa: não é mais do que sua obrigação.

5. Eu ficaria tão feliz se você parasse de trabalhar.
E eu ficaria tão feliz se você falasse menos… bem menos.

6. Isso aí é falta de rola.
Às vezes é falta de muita coisa! Falta de fazer uma mala, comprar uma passagem de ida, vestir um look arrasador e me mandar para longe de você!

7. Você ainda não casou?
E desde quando existe um “ainda”? Por acaso está circulando um manual com o que eu devo fazer a cada faixa etária? Na sua faixa deve estar escrito “não se meta na minha vida”.

8. Parece puta assim.
Se no seu dicionário “puta” significar mulher-bem-resolvida-com-sua-vida-sexual-e-sua-berenice, então eu sou uma puta das grandes.

20.06.17

Relatos sobre uma calcinha fio dental

Ok, partindo desse título você deve estar imaginando que lá vem bomba. E realmente vem, pois calcinha é uma coisa complicada em vários sentidos. Primeiro que ela envolve uma parte do meu corpo que eu nem sei como chamar. Se eu falo “buceta”, sou bagaceira. “Vagina” é meio correto demais. Quando falo “pepeca” me sinto como uma criança de 8 anos. Há quem dê nomes como Preciosa, Perseguida, Berenice, mas isso simplesmente não faz meu tipo.

Calcinha nunca foi uma coisa simples. Sempre prezei pelo meu conforto, ainda mais na época da adolescência em que viver já é desconfortável. Gostava – e ainda gosto – de calcinhas mais largas, pois tenho a maldita genética das “ancas largas”. Cintura fina, mas ancas largas. É só usar uma alcinha mais fininha e eu já tenho uma anca dividida em duas, como dois gomos de bergamota. Diz minha vó que ancas assim são boas para parir; eu digo que ancas assim são boas para trancar a calça jeans no meio do caminho.

Calcinha é aquele tipo de coisa essencial, mas que ninguém precisa saber que você está usando (assim como cera quente para depilar o buço). Acontece que muitas vezes todo mundo sabe a roupa íntima que você está vestindo, e você nem precisa tirar as calças para isso, pois o elástico da sua calcinha diz tudo. Eu já fui motivo de chacota em meu grupo de amigas, pois eu não tinha duas nádegas, e sim quatro. E foi aí que eu resolvi comprar meu primeiro fio dental.

Cheguei na loja de roupas e fui diretamente à sessão de roupas íntimas com o intuito de transformar minha bergamota em uma bunda consideravelmente bonita. Gente, desculpa, mas eu acho horrível a sensação de comprar calcinhas em público. Eu escolho, dou uma rápida analisada para ver se está tudo nos conformes e ponho rapidamente na bolsa de compras, pois se eu levantar a calcinha fio e admirá-la, pessoas ao meu redor darão aquela olhada do tipo “hmmm, hoje tem!”.

Quando vesti minha calcinha fio pela primeira vez, pensei “agora entendo o motivo por que minha vó usa quase um para-quedas“. É confortável e ponto! Sendo bem sincera, não vejo problemas em “desatolar” a calcinha da bunda, mas e quem tem vergonha faz como? E é sempre aquela velha história: você acha que ninguém está vendo, mas todo mundo já sacou aquela sua paradinha atrás do arbusto.

Gostando de rótulos ou não, sua calcinha fala por você. Comecei a acreditar nisso no Natal de 2014, quando minha tia resolveu dar uma calcinha a todas as sobrinhas. Minhas primas abriam os pacotes e a mulherada ia à loucura com o poder sensual que aquelas calcinhas carregavam: vermelhas, brancas, de lacinho, com renda e tudo o mais que você possa imaginar. Abri meu pacote seguindo o mesmo ritmo das outras e quando tirei a calcinha para fora, o que antes parecia uma selva virou um silêncio constrangedor. A calcinha era larga, rosa bebê, de algodão com um coraçãozinho na traseira escrito “I love you“. Segundos depois, uma de minhas primas começa a ter um surto de riso, e o que era um silêncio constrangedor se transforma na sessão vamos praticar bullying com a Amanda.

Minha tia olhou para mim e disse “é que a Amanda ainda é pura”. Até hoje me pergunto se “pura” significa “recatada e do lar” ou apenas “olha para a cara dela, óbvio que ela não transa. A última vez que viu pênis foi no livro de Biologia da escola”.

Enfim, há quem utilize apenas fio dental; há quem defenda o uso de calcinhas largas e confortáveis; há quem não use calcinha! E há pessoas, assim como eu, que usam a primeira que aparece na gaveta. Se você está contente com sua calcinha é o que importa, e se alguém reclamar é porque não conhece o tesouro que há por de baixo dela.

20.03.17

Meu primeiro soutien

Eu tinha 10 ou 11 anos de idade. Estava contente com mais uma manhã de sábado entupida de leite com Nescau e pão com Mumu. Gostava de assistir ao Mais Você, aquele programa da Ana Maria Braga, da época que ela passava por de baixo da mesa e apertava uma infinidade de imãs barulhentos. Minha mãe entra na sala e fala “filha, comprei algo para ti”. Logo achei que fosse algum CD pirata de Play Station 1 ou qualquer outro brinquedo maneiro. Quando abri a sacola vi que não tinha nada de maneiro na compra. “O que é isso?”, eu perguntei. “Um soutien“, ela respondeu. “Suti-quê?”, eu disse. “Soutien! É pra segurar teus seios, vai ajudar contra a gravidade”, ela disse em um tom de A Conversa Termina Por Aqui. Aquilo estava um tanto quanto confuso pra mim. Eu mal conseguia pronunciar a palavra direito e tinha que lidar com a ideia estranha de que algo tinha que segurar meus seios. E o que a gravidade tem a ver com isso? Eu tampouco entendia.

Era rosa, da Barbie e com rendinha infantil. Não tinha bojo; era apenas um pedaço de pano desconfortável devido à estampa e que não fazia o menor sentido de uso. Por que eu devo usar isso? Incomoda. E eu nem tenho seios ainda, eu pensava, tentando achar uma forma de colocar aquilo sem me enroscar. Uma parte de mim achou legal a ideia. Estava me sentindo um pouco mulher, com toda a responsabilidade que um soutien pode trazer. Usando aquele pedaço de pano medonho, imaginava-me uma mulher importante enquanto passava um cartão de crédito velho da minha mãe no telefone da sala.

Ter seios é uma responsabilidade enorme para uma mulher, se você parar para pensar que deve escondê-los sob qualquer circunstância – mesmo na hora de amamentar seu bebê, pois é algo degradante para uma mulher (reconheça meu tom de sarcasmo). Você não pode mostrar na praia e muito menos em casa; deve procurar por um soutien resistente que aguente uma bela corrida em câmera lenta. E lembre-se, jamais deixe o soutien aparecer para fora da blusa, só pelo fato de que “é feio, amiga”. É tanta responsabilidade, que eu nem sei como devo me direcionar a eles. Seios? Tetas? Peitos? Todas as palavras parecem meio estranhas depois que já saíram da minha boca.

Certo dia estava me preparando para ir à escola. Eu estava usando meu projeto de soutien, quando aquilo realmente encheu o meu saco. De última hora, resolvi tirar e ir para a escola assim mesmo. Estava um pouco frio, portanto ninguém notaria se eu estaria ou não vestindo aquela peça de roupa inútil com um casaco por cima.

E.T., havia esquecido de que naquele dia teríamos uma apresentação no recreio. Como você deve imaginar, eu tive que tirar aquele casaco devido aos movimentos da dança e ao calor. Lembro-me como se fosse ontem: todos os alunos do turno da manhã estavam no ginásio para ver nossa apresentação; para nos ver dançar; para me ver dançar; para ver que eu não estava vestindo uma peça vital do meu roupeiro: meu soutien. Quando olhei para meus seios, ou tetas, peitinhos, enfim, eles haviam crescido, e eu não havia notado. Foram 10 minutos de constrangimento e daquela sensação Todo Mundo Está Olhando Para Mim – e realmente estavam.

Até hoje não consigo entender o porquê de todo esse trauma. Tenho certeza de que ninguém estava dando bola para uma criança de tetas disformes dançando Man! I Feel Like A Woman. Bom, mas isso não importa; o que importa é esse soutien tinhoso que vou tirar quando chegar em casa. E mamãe tinha razão: a gravidade não ajuda.

15.02.17

Ser virgem ou não: qual é o drama?

Eu sei, eu sei… Meus desabafos sempre envolvem assuntos como calcinhas fio-dental, soutiens, clubes de striptease e tudo mais que possa me colocar em uma situação constrangedora. A questão é: eu não sei porque as pessoas fazem tanto mistério quanto a esses assuntos. É como se mulheres tivessem que manter em segredo uma dupla identidade com depilação, menstruação, sexualidade e roupas íntimas. By the way, o assunto de hoje é virgindade.

Eu nunca fui o tipo de guria que se interessou profundamente por sexo durante a adolescência. Para falar a verdade eu estava mais preocupada em comer pão com Mumu e assistir Two and a Half Men. Comparando-me com minhas amigas, eu sempre fui a “atrasada”. Eu demorei para menstruar, nunca tinha um ficante e sempre ficava de fora dos jogos de “eu nunca”, afinal, eu não tomava nenhum shot já que minha vida sexual era zero (ou -3).

Você acreditaria se eu dissesse que sofri bullying por ter sido virgem por um bom tempo? Isso mesmo que você está lendo: por ser virgem! Quer dizer, você sofre bullying por transar demais e, também, por transar de menos. Com certeza está escrito em algum lugar que eu não conheço um manual de como não sofrer bullying pela sua vida sexual. Eu imagino regras como “Você deve dar três vezes por semana se estiver namorado; uma, se estiver solteira. Se passar de uma, você será taxada como ‘fácil, dada e vazada’; se for menos que isso, ‘frígida, mal-comida e santinha’.” – por favor, entendam meu tom de sarcasmo até aqui.

As pessoas acham que ser virgem é como se você fizesse parte de algo incomum e que merecesse destaque. Até hoje não entendo porque todas as vezes que meus amigos me apresentavam para alguém, eles falavam “Essa é a Amanda, ela é virgem!”. É como se essa informação fosse realmente necessária. Eu me arrependo de não ter feito um cartão de visita na época escrito “Amanda Moresco: extrovertida – criativa – virgem”.
A característica “virgem” toma conta de sua identidade, sendo ela mais importante que você mesma. Eu imagino pessoas conversando sobre mim da seguinte forma:

– “Ei, sabe a Amanda?”
– “Amanda… Que Amanda?”
– “A virgem!”
– “AH, CLARO! Lembrei”

Quando entrei na faculdade, eu ainda era virgem e evitava falar sobre isso pelo simples fato de ser algo extraordinariamente incomum, e isso me incomodava. Eu estava me sentindo muito pressionada e pensava “eu tenho que dar de uma vez!”, e não pelo fato de querer ter relações sexuais, e sim porque “miga, como assim tu ainda é virgem?”.

Uma vez, no bar da faculdade, estávamos em uma roda amigas esperando a aula começar. De repente, o assunto “sexo” veio à tona, e eu já comecei a ficar nervosa, pois minhas amigas ainda não sabiam desse meu segredinho. Todas falavam sobre posições e detalhes que eu não fazia noção de que eram possíveis. Quer dizer, frango assado? Sério que isso é uma posição sexual?

Enquanto isso, eu ouvia calada tentando aprender algo em meio àquela selva de pererecas ativas. Quando todas elas notaram que eu estava quieta demais, perguntaram-me “tá, Amanda, fala aí também”. Foi quando eu resolvi abrir a boca e falar a verdade: Err… Eu sou virgem. Não tenho uma posição favorita. O que era uma selva de pererecas falantes, tornou-se em um silêncio infinito e olhares paralisados em minha direção. No mesmo instante eu pensei “puta merda, deveria ter dito que era o frango assado”.

Eu não vejo nenhum problema em ser virgem, e muito menos e em ter uma vida sexual potencialmente ativa, até porque, desde quando isso virou um problema? Só quero que você entenda que a palavra “puta” não deveria existir. Ela deveria ser definitivamente substituída por mulher-bem-resolvida-com-sua-berenice. Na verdade, eu tenho mais o que fazer a me preocupar com a vida sexual alheia. Tem um pão e um Mumu bem bom me esperando lá em casa, e é para lá que eu vou!