15.2.17

Ser virgem ou não: qual é o drama?


Eu sei, eu sei... Meus desabafos sempre envolvem assuntos como calcinhas fio-dental, soutiens, clubes de striptease e tudo mais que possa me colocar em uma situação constrangedora. A questão é: eu não sei porque as pessoas fazem tanto mistério quanto a esses assuntos. É como se mulheres tivessem que manter em segredo uma dupla identidade com depilação, menstruação, sexualidade e roupas íntimas. By the way, o assunto de hoje é virgindade.

Eu nunca fui o tipo de guria que se interessou profundamente por sexo durante a adolescência. Para falar a verdade eu estava mais preocupada em comer pão com Mumu e assistir Two and a Half Men. Comparando-me com minhas amigas, eu sempre fui a "atrasada". Eu demorei para menstruar, nunca tinha um ficante e sempre ficava de fora dos jogos de "eu nunca", afinal, eu não tomava nenhum shot já que minha vida sexual era zero (ou -3).


Você acreditaria se eu dissesse que sofri bullying por ter sido virgem por um bom tempo? Isso mesmo que você está lendo: por ser virgem! Quer dizer, você sofre bullying por transar demais e, também, por transar de menos. Com certeza está escrito em algum lugar que eu não conheço um manual de como não sofrer bullying pela sua vida sexual. Eu imagino regras como "Você deve dar três vezes por semana se estiver namorado; uma, se estiver solteira. Se passar de uma, você será taxada como 'fácil, dada e vazada'; se for menos que isso, 'frígida, mal-comida e santinha'." - por favor, entendam meu tom de sarcasmo até aqui.

As pessoas acham que ser virgem é como se você fizesse parte de algo incomum e que merecesse destaque. Até hoje não entendo porque todas as vezes que meus amigos me apresentavam para alguém, eles falavam "Essa é a Amanda, ela é virgem!". É como se essa informação fosse realmente necessária. Eu me arrependo de não ter feito um cartão de visita na época escrito "Amanda Moresco: extrovertida - criativa - virgem".

A característica "virgem" toma conta de sua identidade, sendo ela mais importante que você mesma. Eu imagino pessoas conversando sobre mim da seguinte forma:

- "Ei, sabe a Amanda?"
- "Amanda... Que Amanda?"
- "A virgem!"
- "AH, CLARO! Lembrei"

Quando entrei na faculdade, eu ainda era virgem e evitava falar sobre isso pelo simples fato de ser algo extraordinariamente incomum, e isso me incomodava. Eu estava me sentindo muito pressionada e pensava "eu tenho que dar de uma vez!", e não pelo fato de querer ter relações sexuais, e sim porque "miga, como assim tu ainda é virgem?".

Uma vez, no bar da faculdade, estávamos em uma roda amigas esperando a aula começar. De repente, o assunto "sexo" veio à tona, e eu já comecei a ficar nervosa, pois minhas amigas ainda não sabiam desse meu segredinho. Todas falavam sobre posições e detalhes que eu não fazia noção de que eram possíveis. Quer dizer, frango assado? Sério que isso é uma posição sexual?

Enquanto isso, eu ouvia calada tentando aprender algo em meio àquela selva de pererecas ativas. Quando todas elas notaram que eu estava quieta demais, perguntaram-me "tá, Amanda, fala aí também". Foi quando eu resolvi abrir a boca e falar a verdade: Err... Eu sou virgem. Não tenho uma posição favorita. O que era uma selva de pererecas falantes, tornou-se em um silêncio infinito e olhares paralisados em minha direção. No mesmo instante eu pensei "puta merda, deveria ter dito que era o frango assado".

Eu não vejo nenhum problema em ser virgem, e muito menos e em ter uma vida sexual potencialmente ativa, até porque, desde quando isso virou um problema? Só quero que você entenda que a palavra "puta" não deveria existir. Ela deveria ser definitivamente substituída por mulher-bem-resolvida-com-sua-berenice. Na verdade, eu tenho mais o que fazer a me preocupar com a vida sexual alheia. Tem um pão e um Mumu bem bom me esperando lá em casa, e é para lá que eu vou!

5 comentários:

  1. Fiquei com vontade de te dar um abraço depois desse texto! Nunca sofri bullyng por ser virgem, mas me sentia uma estranha da faculdade por causa disso hahah Na minha sala da facul tinha umas 3 que tbm eram então não era algo TÃO estranho assim, mas tbm nunca entendi a importancia de eu ter transado ou não na vida de outras pessoas.

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    1. Ah com certeza... as pessoas dão uma importância muito grande a isso, de forma a, às vezes, expor demais a intimidade dos outros. Ena verdade, ninguém tem a ver com a sua sexualidade. Ela é sua e pronto! Você faz o que quiser com ela, seja transar de mais ou de menos.

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  2. Ah, é tenso mesmo. Ri litros com o texto! Já vou correndo encomendar o meu cartão:

    Linda - divertida - fofa - não dá a xereca

    eu mesma, Ádria Mello.

    SINCE 1972

    www.manualdagarota-blog.blogspot.com

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    1. HAHAHAHAHA acho que tornaria as coisas mais fáceis, certo?

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  3. Me identifiquei completamente no seu texto, até ri lembrando de situações que vivenciei bem parecidas contigo. Realmente eu não entendo qual o problema da pessoa ser virgem, tipo "deixem a pessoa em paz". Infelizmente, também sofri bullying por isso, quando eu tinha 16 anos uma menina de 13 falava "nossa, você ainda é virgem? aí que vergonha, primeira coisa que eu vou fazer é dar pro primeiro que aparecer". Sabe, eu acho esse comportamento desnecessário, essa "cobrança" por dar pros outros. Eu cagava pra quem queria me zoar, tinha pessoas que mentiam ser sexualmente ativas pra não serem zoadas e eu falava a verdade, não me importava também. Minha vontade era de me casar virgem ou fazer com alguém especial, afinal é algo tão íntimo que não vale a pena ser compartilhado com qualquer um (ao meu ver). Perdi minha virgindade com 19 anos com meu ex no momento que eu achei que tava pronta e tinha maturidade o suficiente pra isso e não me arrependo de ter feito bem mais tarde que as demais.

    beijos,
    deloucostodossomosumpouco.blogspot.com.br

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